Equipe OHS
Para divulgar, celebrar e refletir sobre os 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde, a jornalista e pesquisadora Cristiane d’Avila do Observatório História e Saúde entrevistou os coordenadores do OHS, Carlos Henrique Paiva e Luiz Alves, para um balanço sobre o tema para o Portal Café História.
Na entrevista, os pesquisadores explicam a importância da “Oitava” e refletem sobre seus legados. Paiva conta que as Conferências foram iniciadas em 1941, durante o Estado Novo de Getúlia Vargas, e até então eram conduzidas como forma de realizar um diagnóstico profundo da situação de saúde do país. Já em 1986, pela primeira vez, são introduzidas mudanças de grande fôlego. E que fôlego: as diretrizes de criação do Sistema Único de Saúde em meio aos bons ventos da democratização e o fim de 20 anos de ditadura civil-militar.
Paiva e Alves lembram, no entanto, que essa construção não veio de uma hora para outra, mas foi resultado de uma elaboração de décadas de discussões e práticas que levaram a propostas de uma mudança radical na maneira como a Saúde era organizada no país, um movimento que ficou conhecido como Reforma Sanitária. “A participação social na 8ª sugere algo bem reconhecido pelos movimentos sociais e partidos políticos, de que a mobilização demanda trabalhos longos para a criação de bases orgânicas”, diz Alves na entrevista.
Os pesquisadores também tratam dos gargalos atuais, como a falta de financiamento e a necessidade de maior participação popular para que os gargalos identificados possam ir além do papel e se tornarem mudanças concretas. “As mudanças de maior envergadura não sairão ou serão sustentadas pelos burocratas, nós estamos necessariamente imbricados”, pontua Paiva. Alves completa com a avaliação de que a luta pelo fim da escala 6×1 é uma forma de atualizar os temas defendidos há quatro décadas. “Reforçar que não é possível falar em bem-estar pleno em condições tão precárias de vida é um lembrete importante de que saúde não é ausência de doença e que o cuidado à saúde vai muito além da biomedicina”.
Confira a entrevista completa neste link: https://www.cafehistoria.com.br/sus-criacao/
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